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  • Waldemar Falcão

Guerreiras do século XX

(um tributo astrológico a Evita Perón, Grace Kelly, Jackie Kennedy e à Princesa Diana)



Interessante o trajeto destas mulheres, cujo papel seria o de figurantes num teatro cheio de protocolos, onde as estrelas eram (ou deveriam ser...) seus maridos, dois príncipes e dois presidentes, num mundo masculino e de papéis bem definidos.

Evita, a pioneira num país de machos, uma taurina de Ascendente Áries, com a Lua em Leão. O Touro entra como o sedutor, venusiano, sensual, a dançarina. Áries no Ascendente fornece o ímpeto pioneiro e desbravador, auxiliado pela presença de Mercúrio conferindo o talento para a comunicação. A Lua leonina, o arquétipo feminino iluminado pela natureza solar e aglutinadora do signo em que se encontrava. Ao mesmo tempo, a presença do velho Saturno ao lado, indicando a carência emocional, o espaço onde a figura paternal de Perón se encaixaria como uma luva. Mesmo carente, esta Lua, situada em sua própria casa, a quarta, e próxima a Netuno e a Saturno, lhe conferiria uma enorme capacidade para desempenhar o papel de “mãe dos pobres”, a carência individual fundindo-se com a coletiva. Na hora da sua partida deste mundo, o Sol em Leão transitava sobre Netuno, o planeta das emoções coletivas e Plutão, regente da sexualidade e da reprodução, passava sobre a Lua. Tudo isto, novamente, na quarta casa, espaço da família, da mãe, da mulher, da raiz, da pátria.



Grace Kelly, uma natureza duplamente escorpiônica — Sol e Ascendente — e, portanto, determinada, destemida e impetuosa, tem como elementos suavizadores a sedutora Vênus no seu próprio signo — Libra — pairando sobre o Ascendente, e a Lua, que se encontrava no signo de Peixes. A despeito da sensibilidade e delicadeza da natureza pisciana, esta Lua formava uma das três pontas de um triângulo eqüilátero — conhecido como grande trígono em astrologuês — que se completava com o Sol no Escorpião e o Plutão no signo de Câncer. Mais uma vez, uma interação que, ao mesmo tempo que confere grande força individual, plasma esta imagem no inconsciente coletivo. No dia do acidente em que faleceu, lá estão presentes o Plutão, seu duplo regente transitando sobre a Vênus, o Marte, co-regente do Escorpião transitando sobre o Sol e o próprio Marte natais, enquanto a Vênus no céu passava sobre o Netuno, coletivizando a comoção que sua morte provocou.



Jackie Kennedy, a única com o Sol em Leão, não tem um mapa menos forte: com o Ascendente em Escorpião e a Lua em Áries, também apresenta um grande trígono cujas pontas são a Lua, o Saturno e o Netuno. Plutão, regente do Ascendente, posiciona-se num ângulo (120 graus) que só reforça a natureza escorpiônica. A conjunção de Sol e Mercúrio em Leão na nona casa astrológica confirma o background intelectual da estudante poetisa e escritora. No dia de sua morte, um dia particularmente pesado do ponto de vista astrológico, com o Sol em oposição a Plutão e a Lua oposta a Saturno, configura-se uma conjunção recíproca, na qual a Lua, regente das linfas e dos líquidos todos do corpo, passa sobre o Marte natal, enquanto o mesmo Marte no céu, transitava sobre a Lua Natal.



A Princesa Diana, a última das quatro, começou mostrando a natureza suave de seu Sol em Câncer, mas aos poucos — como é de costume nos caranguejos — foi expondo o espírito inovador e rebelde que lhe conferiam a Lua em Aquário e a independência do Ascendente em Sagitário. Depois, quando provocada, também deixou clara a capacidade de luta e enfrentamento que a conjunção de Plutão e Marte no Meio-Céu proporcionam. Por trás de toda esta coragem, escondia-se uma Lua afligida pelos aspectos tensos que formava com Urano e com Vênus, fazendo-a oscilar de humor e temer a constante inquietação que a sua necessidade de liberdade solicitava. Netuno, situado na casa onze — das instituições que visam o bem comum — e formando trígono com o Sol, tornaria o apelo das causas coletivas irresistível.


Não é à toa que as últimas imagens de Diana no seu envolvimento com instituições humanitárias mostram a princesa de jeans, camisa sem manga e mocassins sem meia enveredando pelo interior de Angola. A elegante e bem vestida Diana, que havia há pouco leiloado seus vestidos de gala para arrecadar fundos para doentes de AIDS, pisava no chão de terra batida onde se escondiam as minas mutiladoras de milhares de angolanos, homens, mulheres e crianças. O acidente fatal que a levou de volta ao mundo espiritual é um retrato espantoso de aspectos astrológicos indicando alta tensão e risco de acidentes. A melhor atitude seria o recolhimento por alguns dias, sem viagens de automóvel ou situações de confronto com risco de violência. O Sol e Mercúrio transitando sobre a explosiva conjunção natal de Plutão e Marte a predispunham a enfrentar as ameaças. Por que será que ela não se conformou em ficar confinada na prisão luxuosa do Ritz, preferindo se arriscar na mão dos paparazzi? Exatamente esta mesma conjunção a levou a enfrentar toda a família real, a Rainha Elizabeth incluída, quando tentaram limitá-la às atitudes protocolares e vazias de significado.



O que fica em comum destas guerreiras do século XX, quando vistas pelo prisma astrológico? Algumas coisas óbvias: mulheres onde a carência se transmutava em força, onde a suavidade e a beleza eram instrumentos de atuação política — e polêmica —, onde a sintonia com as freqüências coletivas e as situações-limite caminhavam juntas. Mulheres que se desvencilharam dos papéis subalternos que lhes eram destinados e, suave e firmemente, mostraram que muitas vezes as grandes mulheres estão ao lado — e não atrás — dos grandes homens. Em astrologuês, vê-se em todas o papel preponderante da Lua, o arquétipo feminino por excelência, sempre estabelecendo vínculos com Netuno e Plutão, os agentes do coletivo, das massas, colocando-as naquilo que Jung chamava de “comunhão indissolúvel com o inconsciente coletivo. ”



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