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  • Waldemar Falcão

ASTROLOGIA: o Mapa da Mina e o Mapa da Estrada

A Astrologia vem se popularizando bastante nas últimas décadas, mas em muitos casos ainda prevalece aquela imagem do astrólogo como sendo um mago de chapéu pontudo que adivinha o futuro. O intercâmbio realizado com a psicologia, principalmente com as valiosas contribuições de Carl Gustav Jung, possibilitou uma renovação de conceitos que foi fundamental para permitir uma melhor compreensão da natureza astrológica, como também para facilitar o entendimento de certas abordagens da astrologia. Ela pode funcionar basicamente em dois aspectos fundamentais da nossa vida: em um melhor conhecimento de nós mesmos e em uma melhor compreensão de certos ciclos por que passamos ao longo da nossa existência. Vamos ver como estas duas abordagens funcionam.

O autoconhecimento é possível a partir de um primeiro contato com um astrólogo, no qual ele vai se dedicar a explicar ao consulente a configuração do céu do momento em que esta pessoa nasceu e o que esta configuração pode representar em termos de potencialidades, capacidades e dificuldades de cada um. O chamado "Mapa Natal" tem esta finalidade: traduzir para o leigo os significados que o seu nascimento traz; isto será feito a partir da interpretação dos posicionamentos do Sol, da Lua, do Signo Ascendente e dos diversos outros planetas no mapa do indivíduo. Estas posições vão enfatizar ou enfraquecer as características de cada signo e cada planeta no mapa natal. Com isso, a pessoa poderá ter uma melhor noção das suas capacidades, conhecer melhor seus pontos fracos e saber como eles funcionam e como podem ser mais bem aproveitados, transformando uma tendência que às vezes pode ser prejudicial em uma capacidade de crescer e se aperfeiçoar.

Como isto funciona, é mais simples do que pode parecer; a questão é saber o papel de cada ponto importante do mapa, para entender como funciona aquele “departamento” na nossa vida:

- O Sol, que representa a nossa identidade astrológica – quando dizemos “eu sou Sagitário”, estamos dizendo que o Sol se encontrava no signo de Sagitário no dia em que nascemos – é o eixo principal da nossa referência, e o ponto de partida do mapa astrológico.

- O Ascendente, que como o próprio nome diz, indica o signo que subia no horizonte leste na hora do nosso nascimento, rege a maneira como atuamos sobre este horizonte, ou seja, a maneira como agimos na vida. Geralmente a primeira impressão que passamos para alguém é mais proveniente do ascendente do que do signo solar.

- A Lua, outro ponto importante, representa a maneira como absorvemos as experiências da vida, como se fosse a nossa memória emocional. Podemos imaginar a função da Lua como sendo de uma tela de pintura que está em branco no momento do nosso nascimento e que começa a ser pintada a partir deste instante em que nos tornamos independentes da mãe, quando o cordão umbilical é cortado.

Estes três elementos formam o que poderíamos chamar de o alicerce da nossa personalidade, a base sobre a qual todo o nosso edifício psicológico será erguido. A localização destes três pontos no mapa de nascimento compõe o fundamento da nossa natureza essencial.

Depois entra a importância de cada planeta do horóscopo, cada um cumprindo a sua função: Mercúrio se ocupa da nossa capacidade de nos comunicarmos; Vênus das nossas relações de afeto e prazer na vida; Marte é o responsável pela nossa iniciativa e nosso impulso de autoafirmação; Júpiter rege nossa capacidade de se expandir e alargar nossos horizontes; Saturno, o nosso lado mais ponderado, cauteloso e objetivo.

Depois temos os chamados planetas geracionais ou “modernos”, porque foram avistados a partir do século XVIII para cá: Urano, o revolucionário, foi descoberto no final deste século, mais ou menos na mesma época dos grandes movimentos de libertação e independência; Netuno, o sensível e sonhador, no final do século XIX, quando se descobriu a anestesia e foi publicado o Manifesto Comunista de Marx e Engels; Plutão, o que mais assusta os leigos, avistado no começo do século XX (1930), quando se descobriu o uso da energia atômica e começaram a se formar as empresas multinacionais.

Com isso, tomamos conhecimento das nossas capacidades, potencialidades e das nossas limitações, quando existe algum ângulo de tensão entre os planetas, dependendo da forma como eles se encontram distribuídos ao redor do nosso Zodíaco individual.

Quanto aos ciclos planetários, nós passamos por diversas fases ao longo de nossa existência, sendo que alguns destes ciclos se repetem de tempos em tempos, e outros só acontecem uma vez na vida. Isto é feito projetando-se o céu do momento da consulta sobre o Mapa Natal da pessoa e vendo quais os ciclos por que esta pessoa passa neste momento: se são ciclos de agir ou de esperar, de plantar ou de colher, de começar ou de terminar algo. Com esta noção, muitas vezes podemos agir de forma mais equilibrada e ponderada, principalmente no que diz respeito a decisões importantes e definitivas que precisemos tomar. Através do estudo do céu poderemos saber melhor em que etapa do nosso caminho existencial estamos naquele momento, e o que isso significa para as decisões e transformações que queremos ou precisamos efetivar em nossas vidas.

Este conhecimento dos ciclos por que passamos nas diversas fases da nossa existência é uma ferramenta essencial para podermos saber como agir (ou não agir) em determinadas situações que enfrentamos no nosso dia-a-dia. A incidência de determinado planeta sobre determinado ponto do nosso mapa astral vai nos indicar que atitude tomar em alguma circunstância da nossa vida.

É como se fosse uma espécie de mapa rodoviário da nossa estrada individual; o mapa indica se a estrada à frente tem curvas ou é reta, se tem buracos ou está lisa e pavimentada. Assim podemos saber se corremos riscos ou se o momento está fácil e tranquilo. Esta ferramenta é que nos possibilita compreender por que às vezes parece que os caminhos estão fechados na nossa frente, e com isso nos permite evitar o desperdício de energia numa determinada tarefa que temos que desempenhar.

Quantas vezes agimos de forma impulsiva e impensada em algumas situações, e acabamos nos arrependendo depois... Talvez aquele não fosse o momento de tomar aquela decisão ou de dar aquela resposta. Com a ferramenta dos “Trânsitos Astrológicos”, que é como é conhecido este “departamento” da astrologia, temos a possibilidade de saber se estamos num momento de plantar ou de colher, de agir ou de esperar, de falar ou de calar. Isto certamente conseguirá fazer com que evitemos passar por situações desagradáveis ou difíceis, e evitará aquela sensação de “ressaca” que muitas vezes nos assalta quando percebemos que não deveríamos ter feito o que fizemos.

Com isso, o Mapa Astral é ao mesmo tempo o mapa da nossa “mina” interna, onde residem nossos tesouros, onde estão os nossos “entulhos”, e é também o Mapa da Estrada, quando aplicamos sobre ele o céu do momento (pode ser o dia, o mês, ou preferencialmente os próximos doze meses) e enxergamos em que ponto estamos da nossa estrada. Se for uma região cheia de curvas, diminuímos a velocidade; se for uma área reta e lisa, aceleramos e seguimos em frente. Se percebemos que a estrada está cheia de buracos, tiramos o pé do acelerador e dirigimos com cautela, evitando manobras arriscadas e perigosas.

Teremos muito menos motivos para nos arrependermos de nossas decisões equivocadas se tivermos em mãos este “mapa existencial” para servir de guia na nossa trajetória de vida, e com isso, evitarmos esses arrependimentos.